Efusivo...

Um dia inteiro só pra mim.

Um dia inteiro só pra mim.

— 1 month ago
Fato! Não tinha o que durar, não tinha o que ser além do que fomos. Instantes. Perdidos em busca de algo que ambos queriam, mas não estavam entregues. Medo, medo de nós. Não havia o que durar. Fragmentados os momentos dessa linha tênue. Houve, mas não ouvimos. Não nos permitimos. Talvez eu não tenha me permitido ser e por isso não existimos. Perdi-me em você… fui você, não eu. Um eu que busco ser, mas não fui. Não com você. Esse ser. O que sei de mim? Você tentou conhecer, mas fui meu eu pra você, não por mim. Não duraria. Não era pra ser, se fosse assim e não foi, não fomos, não somos, não fui. Mas você sim. Foi. 
 Busquei respostas que estavam aqui dentro de mim. Se ao menos eu conseguisse te explicar, mas não pude. Não consegui me dividir. Não consegui, apesar de tanto querer e precisar. Não foi por mal, não faltou confiança, apenas não consegui dizer, não consegui fazer de você parte de mim… Apesar de querer. Você foi tão real que eu fiquei com medo. Desculpa pelas minhas urgências, por contradizer, por não ter sido algo além do que fomos. Estranhos, me dói dizer. Eu só queria um pouquinho de paz, de sossego, menos solidão e eis que, em você, encontrei segurança, afeto, alma e esperança. Mas não fui quem deveria ser. E´aos poucos, apenas me defendi da sua incúria. 
 Já parou pra pensar quanto tempo vivemos planejando? Vivemos para o futuro e, naquele momento, eu só tinha o me entregar ao presente, o desespero de uma única vida e a certeza da morte.

Fato! Não tinha o que durar, não tinha o que ser além do que fomos. Instantes. Perdidos em busca de algo que ambos queriam, mas não estavam entregues. Medo, medo de nós. Não havia o que durar. Fragmentados os momentos dessa linha tênue. Houve, mas não ouvimos. Não nos permitimos. Talvez eu não tenha me permitido ser e por isso não existimos. Perdi-me em você… fui você, não eu. Um eu que busco ser, mas não fui. Não com você. Esse ser. O que sei de mim? Você tentou conhecer, mas fui meu eu pra você, não por mim. Não duraria. Não era pra ser, se fosse assim e não foi, não fomos, não somos, não fui. Mas você sim. Foi. 

 Busquei respostas que estavam aqui dentro de mim. Se ao menos eu conseguisse te explicar, mas não pude. Não consegui me dividir. Não consegui, apesar de tanto querer e precisar. Não foi por mal, não faltou confiança, apenas não consegui dizer, não consegui fazer de você parte de mim… Apesar de querer. Você foi tão real que eu fiquei com medo. Desculpa pelas minhas urgências, por contradizer, por não ter sido algo além do que fomos. Estranhos, me dói dizer. Eu só queria um pouquinho de paz, de sossego, menos solidão e eis que, em você, encontrei segurança, afeto, alma e esperança. Mas não fui quem deveria ser. E´aos poucos, apenas me defendi da sua incúria. 

 Já parou pra pensar quanto tempo vivemos planejando? Vivemos para o futuro e, naquele momento, eu só tinha o me entregar ao presente, o desespero de uma única vida e a certeza da morte.

— 1 month ago

Une Femme Mariée, Jean-Luc Godard (1964)

Une Femme Mariée, Jean-Luc Godard (1964)

(Source: commovente, via serenizar)

— 4 months ago with 21053 notes
“Foi a primeira pessoa que viu quando entrou. Tão bonito que ela baixou os olhos, sem querer querendo que ele também a tivesse visto. “

“Foi a primeira pessoa que viu quando entrou. Tão bonito que ela baixou os olhos, sem querer querendo que ele também a tivesse visto. “

— 9 months ago
Fernando Pessoa
[Carta a Ophélia Queiroz - 5 Abr. 1920]
Meu Bebé pequeno e rabino:

Cá estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme prometi, vou escrever ao meu Bebezinho para lhe dizer, pelo menos, que ela é muito má, excepto numa coisa, que é na arte de fingir, em que vejo que é mestra.
Sabes? Estou-te escrevendo mas não estou pensando em ti . Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da caça aos pombos ; e isto é uma coisa, como tu sabes, com que tu não tens nada…
Foi agradável hoje o nosso passeio — não foi? Tu estavas bem disposta, e eu estava bem disposto, e o dia estava bem disposto também (O meu amigo, não. A. A. Crosse: está de saúde — uma libra de saúde por enquanto, o bastante para não estar constipado).
Não te admires de a minha letra ser um pouco esquisita. Há para isso duas razões. A primeira é a de este papel (o único acessível agora) ser muito corredio, e a pena passar por ele muito depressa; a segunda é a de eu ter descoberto aqui em casa um vinho do Porto esplêndido, de que abri uma garrafa, de que já bebi metade. A terceira razão é haver só duas razões, e portanto não haver terceira razão nenhuma. (Álvaro de Campos, engenheiro).
Quando nos poderemos nós encontrar a sós em qualquer parte, meu amor? Sinto a boca estranha, sabes, por não ter beijinhos há tanto tempo… Meu Bebé para sentar ao colo! Meu Bebé para dar dentadas! Meu Bebé para…
(e depois o Bebé é mau e bate-me…) «Corpinho de tentação» te chamei eu; e assim continuarás sendo, mas longe de mim.
Bebé, vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a boca do Nininho… Vem… Estou tão só, tão só de beijinhos …
Quem me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer . Ao menos isso era uma consolação… Mas tu, se calhar, pensas menos em mim que no rapaz do gargarejo, e no D. A. F. e no guarda-livros da C. D. & C.! Má, má, má, má, má…!!!!!
Açoites é que tu precisas.
Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens — pelo menos quando têm — 1º espírito, 2º cabeça, 3º balde onde meter a cabeça.
Um beijo só durando todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu

Fernando (Nininho).
Fernando Pessoa

[Carta a Ophélia Queiroz - 5 Abr. 1920]

Meu Bebé pequeno e rabino:

Cá estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme prometi, vou escrever ao meu Bebezinho para lhe dizer, pelo menos, que ela é muito má, excepto numa coisa, que é na arte de fingir, em que vejo que é mestra.

Sabes? Estou-te escrevendo mas não estou pensando em ti . Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da caça aos pombos ; e isto é uma coisa, como tu sabes, com que tu não tens nada…

Foi agradável hoje o nosso passeio — não foi? Tu estavas bem disposta, e eu estava bem disposto, e o dia estava bem disposto também (O meu amigo, não. A. A. Crosse: está de saúde — uma libra de saúde por enquanto, o bastante para não estar constipado).

Não te admires de a minha letra ser um pouco esquisita. Há para isso duas razões. A primeira é a de este papel (o único acessível agora) ser muito corredio, e a pena passar por ele muito depressa; a segunda é a de eu ter descoberto aqui em casa um vinho do Porto esplêndido, de que abri uma garrafa, de que já bebi metade. A terceira razão é haver só duas razões, e portanto não haver terceira razão nenhuma. (Álvaro de Campos, engenheiro).

Quando nos poderemos nós encontrar a sós em qualquer parte, meu amor? Sinto a boca estranha, sabes, por não ter beijinhos há tanto tempo… Meu Bebé para sentar ao colo! Meu Bebé para dar dentadas! Meu Bebé para…

(e depois o Bebé é mau e bate-me…) «Corpinho de tentação» te chamei eu; e assim continuarás sendo, mas longe de mim.

Bebé, vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a boca do Nininho… Vem… Estou tão só, tão só de beijinhos …

Quem me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer . Ao menos isso era uma consolação… Mas tu, se calhar, pensas menos em mim que no rapaz do gargarejo, e no D. A. F. e no guarda-livros da C. D. & C.! Má, má, má, má, má…!!!!!

Açoites é que tu precisas.

Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens — pelo menos quando têm — 1º espírito, 2º cabeça, 3º balde onde meter a cabeça.

Um beijo só durando todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu

Fernando (Nininho).

— 9 months ago
Quando se percebe que sentir é muito mais honesto que dizer o que sente;Quando se acredita que adeus existe somente para os que querem dizer adeus;Quando se vê que nem sempre estar junto é estar perto, fica mais simples e puro.Sabe, é muito mais fácil acreditar que ninguém se vaiou então que vamos todos juntos.

Quando se percebe que sentir é muito mais honesto que dizer o que sente;
Quando se acredita que adeus existe somente para os que querem dizer adeus;
Quando se vê que nem sempre estar junto é estar perto, fica mais simples e puro.
Sabe, é muito mais fácil acreditar que ninguém se vai
ou então que vamos todos juntos.

— 9 months ago
"Para com esse vinho e engole esse choro. Ou vice-versa."
— 9 months ago